Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

O Canjirão de Morraça

O Canjirão de Morraça

14
Set17

O Pastel de Lata

António

O Pastel de Lata é sem dúvida a receita mais conhecida da doçaria tradicional. O seu nome advém do facto de o pastel ser feito numas pequenas formas, originalmente feitas de lata (ou folha de Flandres). Uma fase importante do processo de fabrico consiste em retirar o pastel da forma em que vai ao forno, operação que se designa por «deslatar» o pastel. Por esse motivo o pastel de lata é classificado, de acordo com o código do IVA, para efeitos de aplicação da respectiva taxa, na categoria dos produtos deslatados, à qual pertencem outros produtos da mesma família, como por exemplo o leite deslatado.

A receita do Pastel de Lata é originária do Médio Oriente, mais precisamente da cidade de Belém, na Palestina, onde era comercializado por vendedores ambulantes, que os forneciam aos turistas que iam visitar a Igreja da Natividade. Devido às suas origens, o Pastel de Lata é também conhecido por Pastel de Belém. Foi nesta cidade que o Pastel de Lata subiu aos píncaros da fama que ainda hoje ocupa. Várias condicionantes contribuíram para este facto: em primeiro lugar porque a maior parte dos turistas que iam visitar a Terra Santa, iam em cumprimento de uma promessa, normalmente faziam a viagem, que naqueles tempos durava vários meses, a pão e água; por isso, quando chegavam ao seu destino, a fome era muita e os meios de a saciar escassos. Não é, por isso, de admirar que se atirassem ao Pastel de Lata como gato a bofe. A coisa era de tal maneira que compravam sacos inteiros daquilo e iam-nos comendo enquanto visitavam os Lugares Santos. A coisa chegou a ponto de os comerem durante os ofícios religiosos, fazendo com que as respostas às exortações do celebrante saíssem todas entarameladas, porque os fiéis estavam todos com a boca cheia de Pastel de Lata.

Os vendedores de pastéis, empreendedores como sempre são os vendedores ambulantes, viram aqui uma oportunidade de negócio e por isso começaram a vender os pastéis dentro dos templos, mesmo no próprio Templo da Natividade, percorrendo as filas de fiéis, oferecendo o seu produto, enquanto decorriam os ofícios divinos, da mesma forma que os vendedores de amendoins e tremoços percorrem as bancadas de um estádio de futebol ou os vendedores de bolas de Berlim ou frutóchocolate percorrem as praias. Notícia desta triste situação chegou aos ouvidos do Patriarca de Jerusalém, que era quem tinha jurisdição sobre estas coisas. O Patriarca, um Santo Homem, movido por justa indignação, causada por este atentado à santidade dos lugares e ao decoro com que devem ser celebrados os actos de culto, não se limitou a mandar emissários para pôr cobro a esta pouca vergonha; armou-se ele próprio com um chicote de bom tamanho e expulsou os vendilhões do Templo da Natividade enquanto clamava: «Este é um lugar de oração e vós transformastes-lo num lugar de impiedade». [venete expulsão dos vendilhões do templo]

A receita do Pastel de Lata foi trazida para o Ocidente pelos Cruzados, mais precisamente por um cavaleiro da Ordem dos Templários chamado Alfredo Godofredo, originário da terra dos francos, que, como se sabe, era a maneira de designar a França até há pouco tempo, quando esse país aderiu ao Euro. Mas o cavaleiro Alfredo Godofredo ficou na história não por causa do Pastel de Lata, mas por uma sua característica pessoal. Chamavam-lhe o «cavaleiro da triste figura», não por causa do seu aspecto físico mas porque tinha muito mau feitio e fazia questão de fazer má figura em todo o lado onde aparecesse: quer por ser rude de maneiras e solto na linguagem, quer porque era perito em arranjar conflitos com toda a gente que com ele contactava. Começou, por isso a ser muito malvisto na Ordem, com a inevitável consequência de ver as suas probabilidades de promoção seriamente comprometidas. Devido a toda esta situação, o cavaleiro Godofredo, que tinha assinado por duas épocas com opção de mais duas para a posição de sargento-monge avançado, decidiu, ao fim de apenas uma época de combates, negociar a rescisão do contrato por mútuo acordo. E foi assim que o ex-cavaleiro Alfredo Godofredo se viu lançado na vida civil. Felizmente que na negociação do contrato tinha arranjado maneira de incluir uma cláusula de rescisão que lhe dava direito a uma choruda indemnização. Desta forma, embora sem emprego, o antigo cavaleiro encontrava-se, mesmo assim, numa situação relativamente desafogada.

A primeira coisa que decidiu fazer foi arranjar uma mulher...

O texto completo está em O Pastel de Lata

António Esteves

© Todos os direitos reservados


Pensamento do dia

 

A terra a quem atrapalha.

 


Outros textos subordinados ao tema em O Canhão de Pachelbel

Outros textos publicados no Blog em O Canjirão de Morraça - Textos

Blog associado: Polemikon

.

Mais sobre mim

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub