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O Canjirão de Morraça

O Canjirão de Morraça

14
Set17

Horas de Ponta, Boas Abertas e Biscoitos [Dra Ana Correia - Manhãs da 3 - RTP Antena 3]

António

Cara Drª

Ouço todos os dias o programa da manhã da Antena 3. Não é pela música, que não vale um caracol; por exemplo nunca passam a Celina da Piedade a cantar «Meu pratinho de arroz-doce // Polvilhado com canela...». Também não é pelas piadolas dos locutores; acho que eles se divertem demasiado com aquilo, mais do que eu, e isso eu acho intolerável porque se eles estão ali a ganhar ordenados principescos é para trabalhar e não para se divertir.

Uma das coisas que me interessam no programa da manhã são os relatórios sobre o trânsito. Não é que o estado do trânsito me afecte muito: como trabalho por conta própria, as minhas deslocações, além de raras, podem ser feitas à hora que mais me convier. Gosto de ouvir os relatórios do trânsito para poder gozar interiormente com os palermas que aproveitam as horas de ponta para se deslocarem daqui para ali, quando há tantas coisas boas para se fazer nessa altura. Nessas horas, as pessoas parecem ter sido vítimas de um acesso de loucura colectiva e dasatam todas a sair com os carros para a rua, tornando a circulação impossível. Imagino o Manuel em casa a ouvir o relatório do trânsito e às tantas virar-se para a Maria e dizer : «Parece que há um engarrafamento medonho na 2ª Circular; embora lá dar uma voltinha de carro». E há pessoas que fazem esta estupidez todos os dias da semana; só no Sábado e no Domingo, quando as pessoas já se encontram exaustas por toda esta actividade, é que as coisas acalmam um pouco. Mas se no Domingo ouvirem a notícia de problemas de circulação nos acessos às praias, lá volta tudo ao mesmo. Começo a dar razão ao Einstein quando diz: «Que eu saiba, só há duas coisas que não têm limite: o Universo e a estupidez humana; mas acerca do primeiro não tenho bem a certeza».

Outra coisa que eu gosto de ouvir no programa da manhã é a previsão meteorológica. Como trabalho em casa, o tempo que faz ou deixa de fazer, sobretudo este último, não me afecta grandemente. Por outro lado, como tenho o ar condicionado ligado todo o ano, se lá fora faz frio ou calor isso a mim nem me aquece nem me arrefece. Mas a previsão meteorológica é um manancial importantíssimo de assuntos de conversa para as tardes passadas na taberna do Sebastião. Por exemplo, se ouço no relatório do tempo que «Devido a uma tempestade solar de grandes dimensões, espera-se uma vaga de calor nos próximos dias...», a conversa à mesa da tasca, enquanto se bebem uns finos e se cansam os queixos com tremoços, pode ser qualquer coisa como: «Parece que vamos ter uma vaga de calor devido a uma tempestade solar; e o que é que o Governo pensa fazer quanto a isso?» digo eu; como ninguém diz nada, continuo: «Nada, imaginem só que o Primeiro Ministro nem sequer cancelou as férias!». Aqui um outro pega na deixa: «Pois, o que é que se há-de esperar daquela cambada de incompetentes?». «Pois,» acrescenta outro «eles são todos iguais! Só vão para lá para se encher!». Um terceiro contribui com «É por isso que o país está como está». Um outro encontra a solução para tudo isto: «O que era preciso era aparecer alguém que ponha mão nisto, a ver se o país anda para a frente». Esta conversa deixa a boca seca a toda a gente, especialmente aos que nada disseram, portanto é a altura certa para mais uma rodada de finos.

Como referi anteriormente, trabalho em casa, por conta própria. Arranjei emprego como Solicitador que me traz um rendimento considerável, suficiente para cobrir as minhas despesas e até para pôr algum de parte para um dia de chuva. Nunca percebi porque é que as pessoas só põem dinheiro de parte para os dias de chuva, quando pode muito bem acontecer o dinheiro faltar num dia de sol, mas também não quero ir contra o uso corrente só para ser diferente. Mas faço batota: se o dinheiro me falta num dia de sol, o que eu faço é vestir uma gabardine, pôr chapéu e óculos de sol de forma a que ninguém me reconheça e vou assim ao banco levantar o dinheiro das minhas economias.

O meu trabalho como Solicitador consiste em solicitar empréstimos a amigos, conhecidos, benfeitores e até a simples estranhos. Empréstimos esses, escusado será dizer, que não tenho a mínima intenção de pagar. Vendo também um livro de auto-ajuda intitulado «O Livro de Ser Feliz» que é suposto fazer feliz quem o compra. Estou agora a especializar-me na técnica do «crowd funding» que consiste em angariar investidores na Internet para projectos pessoais. O projecto para o qual estou actualmente a angariar investidores, é uma máquina a que dei o nome «A Máquina de Ser Feliz».

Como a cara Drª sabe...

O texto completo está em Horas de Ponta, Boas Abertas e Biscoitos

António Esteves

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